Dor lombar crônica e a frustração dos exames
A dor lombar é uma das principais causas de incapacidade no mundo.
Muitos pacientes fazem ressonância magnética (RM) em busca de respostas — e se surpreendem quando o resultado é “normal” para sua faixa de idade. Outros recebem laudos cheios de termos técnicos, mas que não explicam a intensidade da dor.
Isso gera ansiedade e dúvidas:
- “Se não apareceu nada, será que minha dor é psicológica?”
- “Se o exame mostrou alterações, será que vou precisar de cirurgia?”
A verdade é que a dor lombar é muito mais complexa do que a imagem isolada.
Quando a ressonância realmente explica a dor
Um estudo publicado no European Spine Journal (2023) revisou 29 sinais de imagem da coluna lombar e concluiu que apenas alguns estão fortemente relacionados à dor:
- Alterações Modic tipo I → inflamação no osso vizinho ao disco.
- Degeneração discal → perda de altura e alteração do núcleo.
- Defeitos de endplate → erosões e microfraturas.
- Hérnia de disco extrusa → deslocamento mais agressivo do material discal.
- Estenose central do canal vertebral → estreitamento que comprime nervos.
- Compressão radicular → pinçamento direto da raiz nervosa.
- Infiltração gordurosa nos músculos paravertebrais → sinal de fraqueza muscular.
Por outro lado, achados comuns como protrusões simples, Modic II e III ou líquido em facetas aparecem com frequência em pessoas sem dor e nem sempre justificam os sintomas.
Mensagem importante: a ressonância ajuda muito, mas só faz sentido quando interpretada junto da história clínica e do exame físico.
E quando a ressonância é normal?

Um exame “normal” não significa ausência de dor. Existem várias razões para isso:
1. Dor muscular e miofascial
- Sobrecarga muscular e pontos-gatilho não aparecem nos exames.
2. Alterações funcionais
- Desequilíbrios posturais e instabilidade segmentar leve passam despercebidos.
3. Sensibilização central
- O sistema nervoso fica “hipersensível”, amplificando sinais de dor.
4. Dor nociplástica
- Alterações químicas e elétricas do sistema nervoso mantêm a dor sem lesão estrutural.
5. Microalterações invisíveis na RM
- Inflamações discretas, neuropatias iniciais ou disfunções metabólicas podem não ser captadas.
Por isso, exame normal não significa dor inventada. A dor é real, mesmo que invisível à imagem.
O papel da avaliação clínica
O diagnóstico da dor lombar deve integrar três pilares:
- História clínica detalhada (quando começou, fatores de melhora/piora, hábitos).
- Exame físico completo (força, sensibilidade, mobilidade, pontos dolorosos).
- Exames complementares, incluindo recursos funcionais como a termografia médica por infravermelho, que mostra padrões inflamatórios e de circulação não detectados pela ressonância.
Caminhos de tratamento quando o exame não explica

Mesmo sem alterações estruturais na ressonância, há opções eficazes:
- Reabilitação muscular e postural (fisioterapia, pilates clínico, RPG).
- Controle da dor com bloqueios, infiltrações ou neuromodulação, quando necessário.
- Medicações adjuvantes para dor neuropática e sensibilização central.
- Atenção ao estilo de vida: sono adequado, manejo do estresse e atividade física regular.
Conclusão
A ressonância magnética é um exame valioso, mas não é a palavra final sobre a dor lombar.
Ela pode revelar sinais que explicam o quadro, mas também pode vir normal em quem sofre com dor crônica.
O mais importante é lembrar que:
- A dor é real, mesmo quando o exame não mostra nada.
- O diagnóstico nasce da integração entre clínica, imagem e função.
- O tratamento deve ser personalizado e multidisciplinar.
Seus exames podem ser normais, mas sua dor não é imaginária. Procure um especialista em dor para avaliar o quadro de forma completa e indicar o melhor caminho para recuperar sua qualidade de vida.
Se você sofre com dor lombar crônica e seus exames não explicam o motivo, agende uma consulta. A dor tem solução, mesmo quando não aparece na ressonância.