O Parkinsonismo Vascular (VP) é uma forma particular de parkinsonismo que costuma afetar principalmente as pernas e a marcha, motivo pelo qual muitos especialistas o chamam de “parkinsonismo de membros inferiores”.
Embora tenha sintomas parecidos com a Doença de Parkinson, como rigidez e lentidão, o VP tem outra origem: lesões nos vasos sanguíneos cerebrais, geralmente causadas por pequenos derrames, hipertensão, diabetes ou colesterol alto.
Essa diferença é fundamental, porque o tratamento e a evolução também são diferentes.
Como o VP se apresenta no dia a dia
Os sintomas mais comuns são:
- Marcha lenta, com passos curtos e instabilidade
- Rigidez nas pernas
- Dificuldade para iniciar o movimento (como se os pés estivessem colados ao chão)
- Quedas frequentes
Diferente do Parkinson clássico, o tremor não é o sintoma principal. Além disso, muitos pacientes apresentam também declínio cognitivo (memória, atenção, planejamento), já que o problema está na circulação cerebral como um todo.
Tratamentos com medicamentos
Levodopa: pode ajudar em alguns casos
- A levodopa, remédio mais usado no Parkinson, tem efeito mais limitado no VP.
- Mesmo assim, até 40% dos pacientes podem ter alguma melhora na rigidez e lentidão.
- O benefício é geralmente parcial, mas pode trazer mais autonomia.
Por isso, recomenda-se sempre um teste com levodopa por até 3 meses, em doses adequadas (até 1g/dia), antes de concluir que não funciona.
Controle dos fatores de risco vascular

Como o problema do VP vem da circulação, é essencial cuidar da saúde dos vasos:
- Pressão alta: precisa ser rigidamente controlada.
- Diabetes e colesterol: devem estar sob metas.
- Antiplaquetários (AAS, clopidogrel): ajudam a prevenir novos microderrames.
- Estatinas: estabilizam as artérias e reduzem risco vascular.
Essas medidas não reduzem os sintomas já instalados, mas são decisivas para evitar piora e progressão.
Vitamina D: proteção simples e eficaz
Um estudo mostrou que a suplementação de vitamina D reduziu em quase 60% o número de quedas em pacientes com VP.
Isso porque a vitamina fortalece ossos e músculos, além de melhorar equilíbrio e coordenação.
É um recurso simples, acessível e já disponível no Brasil.
Terapias inovadoras
Estimulação Magnética Transcraniana (rTMS)
- Técnica não invasiva, que aplica campos magnéticos em áreas do cérebro ligadas ao movimento.
- Pode melhorar a marcha e a lentidão motora.
- O efeito é temporário (dura algumas semanas), mas pode ser repetido em ciclos e associado à fisioterapia.
Já disponível em alguns centros no Brasil, principalmente em clínicas privadas e universidades.
Fotobiomodulação a laser (PBMT)
- Técnica experimental, que usa laser intracraniano para estimular circulação e reduzir inflamação.
- Estudos mostraram melhora motora e cognitiva mantida por até 8 anos em mais de 90% dos pacientes tratados.
- Apesar dos resultados animadores, ainda é experimental e não disponível na prática clínica no Brasil.
Reabilitação: o tratamento mais importante

Independentemente da resposta às medicações, a reabilitação multidisciplinar é indispensável:
- Fisioterapia: treino de marcha, fortalecimento e exercícios de equilíbrio.
- Terapia ocupacional: estratégias para manter independência nas atividades do dia a dia.
- Fonoaudiologia: para pacientes com dificuldade de engolir ou falar.
- Atividade física regular: caminhada, hidroginástica, pilates ou até dança — sempre com adaptação.
Essas medidas sempre trazem benefícios e devem ser iniciadas quanto antes.
O que esperar do tratamento?
- Levodopa: pode trazer melhora em até 40% dos pacientes.
- Vitamina D: reduz quedas e aumenta segurança na marcha.
- Controle vascular: essencial para evitar novos danos cerebrais.
- rTMS: melhora temporária, útil como complemento.
- Laser (PBMT): promissor, mas ainda experimental.
- Reabilitação: sempre melhora a qualidade de vida e a autonomia.
A evolução varia de paciente para paciente. Alguns estabilizam, outros têm progressão lenta. O segredo é o acompanhamento contínuo com neurologista especialista em distúrbios do movimento.
Conclusão
O Parkinsonismo Vascular (ou “parkinsonismo de membros inferiores”) é uma condição desafiadora, mas existem caminhos para controlar os sintomas e manter qualidade de vida.
- O tratamento deve sempre começar pelo controle dos fatores vasculares.
- Levodopa pode ser útil em parte dos casos.
- Vitamina D e reabilitação física trazem benefícios comprovados.
- Terapias inovadoras estão surgindo e podem ampliar as opções no futuro.
Cada paciente é único. Com o tratamento certo e acompanhamento regular, é possível reduzir quedas, melhorar a marcha e preservar a autonomia.