Nem sempre tremores, rigidez ou lentidão significam Doença de Parkinson. Alguns pacientes podem ter sintomas muito parecidos devido ao uso de certos medicamentos — condição chamada de Parkinsonismo Induzido por Medicamentos (DIP).
O grande desafio é: como diferenciar um do outro?
Hoje, a clínica médica ainda é fundamental, mas contamos também com exames de imagem cada vez mais precisos, que ajudam a confirmar o diagnóstico e indicar o melhor tratamento.
Por que é importante saber a diferença?
- Na Doença de Parkinson verdadeira, há uma perda progressiva dos neurônios produtores de dopamina.
- No DIP, os sintomas aparecem como efeito colateral de remédios (como antipsicóticos, antieméticos e alguns medicamentos cardiovasculares).
Enquanto o Parkinson precisa de tratamento contínuo, o DIP pode ser reversível ao suspender a medicação causadora. Por isso, um diagnóstico correto faz toda a diferença.
Exames de imagem que ajudam no diagnóstico
SPECT (DaTscan): a “fotografia” da dopamina no cérebro
O DaTscan é um exame de medicina nuclear que utiliza uma substância radioativa para mostrar como está a captação de dopamina no cérebro.
- Na Doença de Parkinson: aparece uma redução assimétrica na captação (principalmente no putâmen).
- No DIP: geralmente o exame é normal, pois não houve perda neuronal real.
Disponibilidade no Brasil: o DaTscan já está disponível em centros de referência em medicina nuclear nas capitais e em alguns hospitais de grande porte. Ainda não é acessível em todas as cidades, mas vem sendo cada vez mais solicitado por neurologistas em casos de dúvida diagnóstica.
PET Scan: exame mais detalhado da dopamina

O PET com [18F]-DOPA ou [18F]-FP-CIT avalia com ainda mais precisão a produção e o transporte da dopamina.
- Pode detectar alterações em fases iniciais.
- No DIP, costuma estar normal.
Disponibilidade no Brasil: o PET Scan está disponível em alguns centros especializados, geralmente em grandes hospitais e clínicas de medicina nuclear, mas ainda com acesso restrito e custo elevado. É menos utilizado do que o DaTscan para diferenciar DIP de Parkinson no dia a dia.
Cintilografia cardíaca (MIBG): o coração também ajuda no diagnóstico
Esse exame avalia a inervação cardíaca pelo sistema nervoso autônomo.
- No Parkinson: há perda da inervação cardíaca, aparecendo alteração no exame.
- No DIP: geralmente é normal.
Disponibilidade no Brasil: o exame com MIBG (metaiodobenzilguanidina) já é realizado em alguns centros de cardiologia e medicina nuclear, mas ainda não faz parte da rotina em todos os serviços neurológicos.
Ressonância magnética: para descartar outras doenças
A ressonância magnética (RM) não mostra diretamente a perda de dopamina, mas pode descartar outras causas de sintomas, como AVCs, tumores ou lesões estruturais.
Disponibilidade no Brasil: amplamente disponível em clínicas e hospitais. Embora não diferencie Parkinson de DIP, é muito importante na investigação inicial de tremores e rigidez.
Ultrassom do cérebro: exame simples e não invasivo
O ultrassom transcraniano pode identificar alterações na substância negra, região afetada na Doença de Parkinson.
- No Parkinson: costuma mostrar aumento da ecogenicidade (sinal mais brilhante).
- No DIP: tende a ser normal.
Disponibilidade no Brasil: presente em alguns centros de referência em distúrbios do movimento, mas ainda pouco difundido na prática clínica.
Novas técnicas em estudo: o futuro do diagnóstico
Pesquisadores investigam exames como:
- Tomografia de coerência óptica (OCT): avalia a retina, mas útil apenas em fases mais avançadas.
- Marcadores metabólicos no FDG-PET: podem prever quem tem maior risco de desenvolver DIP ao iniciar certos medicamentos.
Disponibilidade no Brasil: ainda em fase experimental, não estão disponíveis na prática clínica.
Como o médico junta todas as informações?

O diagnóstico não depende de apenas um exame. O neurologista combina:
- História clínica detalhada (quando começaram os sintomas, quais remédios o paciente usa).
- Exame neurológico (se os sintomas são bilaterais, se houve melhora após suspender o remédio).
- Exames de imagem (DaTscan, PET, MIBG, RM) quando há dúvida diagnóstica.
- Teste terapêutico com levodopa em alguns casos.
Essa integração permite diferenciar com mais segurança o Parkinson verdadeiro do DIP.
O que tudo isso significa para o paciente?
Graças às técnicas de neuroimagem, hoje é possível evitar diagnósticos equivocados e oferecer tratamentos mais precisos.
- Se for Doença de Parkinson: o tratamento é contínuo, com medicações dopaminérgicas e, em casos avançados, terapias cirúrgicas.
- Se for DIP: há chance de reversão total dos sintomas após suspender o medicamento causador, geralmente em até 6 meses.
O mais importante é: ao notar sintomas como tremor, rigidez ou lentidão, especialmente após iniciar um novo remédio, procure um neurologista especializado em distúrbios do movimento. O exame certo pode evitar anos de confusão e garantir qualidade de vida.