O que são os parkinsonismos atípicos?
Quando falamos em Doença de Parkinson, logo pensamos em tremor, rigidez e melhora com o uso da levodopa.
Mas existem outras doenças, chamadas de parkinsonismos atípicos, que podem ter sintomas parecidos, mas evoluem de forma diferente e, infelizmente, respondem muito pouco ou quase nada aos medicamentos convencionais.
Entre os principais parkinsonismos atípicos estão:
- Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP): quedas precoces e dificuldade para mover os olhos.
- Atrofia de Múltiplos Sistemas (MSA): parkinsonismo associado a problemas de pressão, bexiga e respiração.
- Demência com Corpos de Lewy (DCL): parkinsonismo com demência precoce e alucinações.
- Degeneração Corticobasal (DCB): rigidez, apraxia e a síndrome da “mão alienígena”.
Essas doenças são mais agressivas que o Parkinson clássico, evoluem mais rápido e têm opções de tratamento muito mais limitadas
Por que cogitar o uso de estimulação cerebral profunda (DBS)?
A estimulação cerebral profunda (DBS) revolucionou o tratamento da Doença de Parkinson típica, especialmente em pacientes que ainda respondem à levodopa mas têm flutuações motoras e discinesias.
Os resultados são tão positivos que surgiu a dúvida: será que o DBS também poderia ajudar pacientes com parkinsonismos atípicos?
A ideia era que, ao modular áreas do cérebro relacionadas ao movimento, seria possível melhorar sintomas como rigidez, tremor e lentidão — mesmo em doenças com evolução mais complexa.
O que os estudos mostraram até agora

Revisões sistemáticas que reuniram os principais estudos clínicos indicam que, na maioria dos casos, os resultados não foram animadores:
- MSA (Atrofia de Múltiplos Sistemas):
Em alguns pacientes, houve melhora parcial dos sintomas motores, mas a maioria apresentou piora rápida devido ao avanço da doença, incluindo sintomas autonômicos (pressão, bexiga, respiração), que o DBS não consegue tratar. - DCL (Demência com Corpos de Lewy):
O DBS não mostrou benefícios claros. Pelo contrário: há preocupação de que possa piorar a cognição e a confusão mental, já que esses pacientes têm demência precoce. - DCB (Degeneração Corticobasal):
Os estudos são muito limitados, mas até o momento não há evidência de benefício significativo.
Conclusão: diferente da Doença de Parkinson típica, nos parkinsonismos atípicos o DBS não oferece resultados consistentes ou duradouros.
Riscos e limitações
Além da falta de eficácia comprovada, o DBS nesses casos envolve riscos:
- Complicações cirúrgicas, como sangramento ou infecção.
- Piora cognitiva em pacientes já vulneráveis.
- Frustração de pacientes e familiares quando a melhora não ocorre.
Por isso, a indicação de DBS em parkinsonismos atípicos deve ser muito criteriosa — geralmente restrita a protocolos de pesquisa ou casos muito específicos.
Existe esperança para o futuro?
A pesquisa continua, e novas técnicas de neuromodulação estão sendo estudadas, incluindo:
- Estimulação adaptativa, que ajusta automaticamente os parâmetros em tempo real.
- Estimulação em outras áreas do cérebro, além dos alvos clássicos (como o subtálamo e o globo pálido).
- Combinação de DBS com terapias medicamentosas e reabilitação intensiva.
Embora ainda não haja cura, cada passo da ciência ajuda a entender melhor como modular os circuitos cerebrais em diferentes doenças.
Conclusão

A estimulação cerebral profunda (DBS) transformou a vida de milhares de pacientes com Parkinson clássico.
Mas quando falamos em parkinsonismos atípicos (como PSP, MSA, DCL e DCB) os resultados ainda são decepcionantes, com benefícios limitados e de curta duração.
Isso reforça a importância de um diagnóstico correto e precoce, diferenciando Parkinson típico de outros parkinsonismos, e mostra que, nesses casos, o foco deve estar em tratamento sintomático, reabilitação multiprofissional e apoio à família.